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segunda-feira, 9 de março de 2015

Vereadores do povo derrotam projeto do executivo de pedido de empréstimo!

Esta foi a nota explicativa que seis vereadores assinaram e divulgaram ao povo, esclarecendo os fatos a respeito da proposição do prefeito ao Legislativo.
                                                     
Nota Explicativa

Hoje Ipixuna do Pará vive um momento decisivo na sua trajetória político-social, pois o Prefeito Salvador Chamon, enviou o projeto de Lei nº 017/2014 ao Poder Legislativo, por meio do qual, segundo ele, pretende captar recursos para realizar alguns projetos de infraestruturas no município como: Recapeamento asfáltico de Ipixuna do Pará; drenagem e asfalto nos distritos Canaã e Novo Horizonte; conclusão da orla de Ipixuna do Pará; aquisição de ambulâncias e tratores; reformas de prédios públicos; etc... Para isso, o gestor necessita de dois terços, ou seja, 8 votos, para aprovar o tal Projeto de Lei.
Estamos aqui expressando nessa carta a vontade popular em rejeitar e repudiar esse Projeto de Lei. Portanto estes Vereadores vêm informar os reais motivos da não aprovação, por acreditarem que os recursos serão mal geridos, citando aqui alguns exemplos:
Obra
Local
Fonte
Valor Repassado
Situação
UPA
Ipixuna (Sede)
Gov. Federal
R$ 1.980.000,00
6 meses de atraso
Três UBS
J. Paulo/ R. Cunha/ Canaã
Gov. Federal
R$ 1.600.000,00
10 meses de atraso
Drenagem
Km 88
Prefeitura
Não informado
Inacabada
SIMAF
Km 88 / Enalco / Gleba 13
Prefeitura
R$ 36.000,00
Abandonado

Principais recursos arrecadados 2013/2014
Royaltys (Caulim)
Mais de R$ 9 milhões
ICMS
Mais de R$ 13 milhões
FPM
Mais de 39 milhões
Outras receitas
Mais de 1 milhão e meio
Educação
Mais de 53 milhões
Saúde
Mais de 23 milhões
Total
Mais de 140 milhões

O município não precisaria de empréstimo, pois o atual prefeito, com as demissões que fez, conseguiu reduzir a folha de pagamento para 54% do total do recurso que a prefeitura recebe, portando restando 46% de todo recurso para pagar outras despesas e também investir em obras. Porém devido a sua evidente má gestão, o município passa por diversos e graves problemas como: atraso de salário do funcionalismo; atraso ao pagamento de fornecedores; atraso ao aluguel de veículos; falta de remédio da farmácia básica, ambulâncias sucateadas; falta de merenda escolar; e corte de energia e telefone de prédios públicos. Conclusão: nem manutenção da máquina pública, nem obras.
Recordando da História recente dos gestores que passaram por este Município, vamos relembrar algumas obras executadas:
Antônio Araújo- Comprou Carros, ambulâncias, construiu pontes e estradas vicinais para as comunidades, fez o galpão do agricultor, dentre outras;
Zé Orlando- Construiu o prédio da Ação Social, da Prefeitura, da Escola Maria Pereira Freire, da Escola Antônio Marques, do Banpará, e ainda fez estradas, pontes e inúmeras outras obras.
Evaldo Cunha- Construiu o prédio do Terminal Rodoviário, do Centro Universitário, da Escola Antonina, do Banco do Brasil, fez eletrificação rural na Comunidade Quiandeua e São Pedro da Água Branca, varias ampliações de escolas, construções de escolas nas comunidades ribeirinhas, estradas, pontes, a frente da cidade e muitas outras obras.
O que todos têm em comum, apesar de terem administrado em épocas diferentes (com mais ou menos recursos), é que nenhum recorreu ou precisou solicitar empréstimos ou antecipação de receitas para executarem tais obras acima citadas. O último (Evaldo Cunha) parece ter feito um verdadeiro “milagre”, pois segundo o atual gestor, este executou suas obras com apenas 8% dos recursos, pois 92% estavam comprometido com a folha de pagamento.
O atual prefeito realizou demissões em massa; o fechamento da casa de apoio; a dispensa da locação dos 22 carros de saúde nas comunidades rurais; o corte das gratificações para funcionários que exercem funções especiais; a desativação de secretarias. Feito isto, é notório que há recursos suficientes para executar as obras essenciais e emergenciais do nosso município. Portanto, nós vereadores de responsabilidade, temos o dever de mostrar ao povo as verbas que nosso município recebe. O prefeito deve prestar contas junto à população, e explicar o porquê de priorizar recursos para montar grandes estruturas de FESTAS (que não é tão importante assim para os munícipes), e deixando a desejar nos serviços essenciais como SAÚDE, EDUCAÇÃO, SANEAMENTO, OBRAS E EMPREGOS.
Todos os prefeitos que já passaram pela gestão de Ipixuna deixaram sua marca em serviços e obras e nunca pediram empréstimo. Se o atual prefeito já teve a sua disposição, do início do seu mandato até agora, mais de R$ 145 milhões e não consegue cuidar do nosso município, não é um endividamento de R$ 20 milhões que vai ser a salvação. Pelo contrário, pode ser a perdição, pois o prefeito, ao final de seu mandato vai embora, mas a dívida ficaria... E provavelmente, junto com obras inacabadas e salários atrasados.

Temos a certeza de que esta nossa atitude é a mais fiel expressão das famílias ipixunenses que ajudaram a construir o nosso município, que tem amor por Ipixuna e que ainda têm a esperança de vê-la se erguer novamente.

Vereadores: Marquinho, Jandson, Rita, Eloi, Railton e Cacau.

Depois de dois adiamentos de sessão (um por manobra dos vereadores afinados com o executivo e outro a falta de segurança devido a boatos de quebra-quebra na câmara por parte dos poucos populares ligados ao governo que desejavam a aprovação do projeto) finalmente o projeto foi rejeitado pelos mesmos vereadores que assinaram a nota explicativa, fazendo o placar de 6 a 5. Eis o vídeo do meu discurso:


segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Je ne suis pas Charlie (Eu não sou Charlie)


    Eu não sou Charlie porque não apoio a postura do Jornal francês Charlie Hebdo. É claro que dificilmente um ocidental cristão irá aprovar o assassinato dos 12 cartunistas ocorrido na França no dia 07 de janeiro de 2015, como eu também não aprovo. Porém, sem receio algum afirmo que não lamento profundamente o assassinato como se fosse um atentado contra inocentes e contra a liberdade de expressão. https://leonardoboff.wordpress.com/2015/01/10/eu-nao-sou-charlie-je-ne-suis-pas-charlie/.
      Em reportagem no programa da TV Globo: Fantástico, exibido no dia 11 de Janeiro de 2015, o jornalista Tadeu Schmidt com um ar de pureza e inocência faz o seguinte questionamento: "Como podem simples desenhos causar tanto ódio, tanta revolta?" http://g1.globo.com/fantastico/index.html. Basta você fazer uma rápida pesquisa no google imagens para constatar o quanto passava dos limites do bom senso as capas do jornal, principalmente no que se refere a religião, tanto islâmica quanto cristã.
    Na primeira charge aparece um muçulmano segurando o livro sagrado do Islã dizendo: "Alcorão de merda, não é a prova de balas". Na segunda estampa a capa do jornal uma caricatura que representa Maomé dando beijo ardente na boca do cartunista editor do jornal, tendo acima o título "o amor é mais forte que o ódio". Na terceira charge o extremo: desenhar a caricatura de representação do profeta Maomé totalmente despido e curvado expondo as  partes íntimas.
       Na rígida tradição da fé islâmica não se pode de forma alguma retratar Maomé em pinturas, desenhos, estátuas e até mesmo filme, tanto pelo fato de ele ter sido o grande profeta da religião, quanto pelo fato de não praticarem a idolatria. Imaginemos então o quanto não deve ser ofensivo ter o profeta Maomé retratado com tanto desrespeito e desprezo nas insistentes e cada vez mais provocadoras charges produzidas pelo jornal.
      Mostrado estas charges aos desavisados telespectadores da Tv Globo talvez possa fazê-los pensar; "É... realmente são desrespeitosas e provocadoras essas charges, mas nada que justifique a violência". Porém não sei como se sentiriam vendo a próxima charge que ultraja o cristianismo.

      Além de atacar judeus e islâmicos, o jornal Charlie Hebdo ataca o cristianismo de uma forma tão extrema quanto inimaginável, que faltam adjetivos para censurar tal despropósito.
       Para um cristão essa imagem é tão chocante que penso que nunca deveria ter sido feita. Tanto que não me sinto a vontade de publicá-la no meu blog, porém creio que tenho o dever de expressar minha opinião de repúdio ao comportamento insano do jornal Charlie Hebdo. Ainda mais quando grande parte da verdade está oculta nos grandes jornais, revistas e empresas de televisão. Em nenhum momento os jornais se quer falam/descrevem o teor grosseiro, antirreligioso e intolerante destas charges, carregadas de preconceitos de toda ordem desfaçados de humor e de causa da liberdade de expressão.
        Ter a liberdade de expressão não inclui ter o direito de ofender constante e incisivamente um povo, uma cultura, uma religião, seus profetas e seus deuses. Se jornalistas travestidos de libertários, xenófobos e políticos de extrema direita dizem não aceitarem a islamização do ocidente (isso sim é uma piada pela ironia de tal afirmação) como querem estes impor a banalização da religião islâmica no mundo. 
          O fato de ser ateu não quer dizer que este mesmo ateu não deva reconhecer o direito do outro crer em um supremo criador, profetas e todo um sistema religioso. Pois o mesmo direito que o ateu deve dar ao indivíduo de crê em Deus e viver de acordo com  uma doutrina religiosa, é o mesmo que garantirá a sí o direito de não crer nesse mesmo Deus e viver de acordo com suas conveniências.
       Fala-se tanto nos jornais que de acordo com recentes pesquisas realizadas entre franceses, ingleses e pessoas de outros países imperialistas europeus, mais da metade acredita que o Islã é incompatível com o mundo ocidental http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2015/01/visao-do-isla-na-europa-e-uma-dificil-questao-politica-cultural-e-social.html. Parte do povo inglês, francês e alemão se preocupa com o crescente número de muçulmanos que migraram e migram cada vez mais para estes países. "Temem" a descaracterização de suas culturas. Ora, não são estes mesmos imigrantes oriundos exatamente dos países que em um curto período do passado foram invadidos, explorados e saqueados por tais países europeus. Portanto, certamente não é uma mesquita, um turbante ou um prato árabe que vão destruir a França. O que destrói um país é a escravidão, a exploração da natureza e a violência da cruzada ocidental em nome, ontem de Cristo, hoje do desenvolvimento.     
       A comunidade islâmica (que não são as organizações extremistas) buscou os meios democráticos para pôr limites ao jornal, porém perderam a causa. Com isso o jornal ganhou passe livre para extrapolar os achincalhamentos. Quando partidos de extrema direita e parte da sociedade francesa demonstra temer a descaracterização de sua cultura, na verdade estão buscando uma justificativa para oprimir ainda mais os imigrantes pobre, negros e muçulmanos: discriminando-os e até mesmo os matando nos guetos da periferia como hora e outra vemos, sendo o autor a polícia.
        O atentado ao Jornal francês não foi um ataque contra a liberdade de expressão ou de imprensa, foi um ataque de radicais árabes contra intolerantes ocidentais. Uma coisa é criticar, satirizar. Outra coisa é achincalhar. Não é uma questão de liberdade de imprensa... é muito mais amplo, é uma questão política. Fazer o que o Charlie Hebdo fez, mais do que um aparente obsessão inexplicável, também cumpre o papel de dizer  "muçulmanos vocês não são bem vindos na Europa, aqui é assim: ou aguenta ou vai embora". É uma forma de bullying contra todo um povo. E não adianta justificar que as charges se direcionavam apenas aos extremistas, pois Maomé e Alá são o profeta e o Deus tanto para estes, quanto para o simples muçulmano que vive o seu cotidiano com simplicidade e que não acredita na política das armas e das bombas. As charges, de tanto retratar constantemente o muçulmano com armas e bombas, acaba fazendo com que as pessoas associem todo muçulmano a um homem-bomba. Seria o mesmo que fazer constantemente charges de norte-americanos com um hambúrguer do McDonald's em uma mão e na outra um fuzil do exercito estadunidense.
      Grande parte dos europeus e norte-americanos, brancos e ricos não perderam a mania de acharem que seus propósitos são os únicos corretos, dignos de mobilização mundial e também de acharem que suas vidas valem mais do que a de um asiático, um negro, um pobre, uma criança palestina.
         Claro que lamentamos pelas vidas ceifadas no ataque do World Trade Center ou nas estações de metrô de Londres. E quando um atentado desses ocorre o mundo inteiro fica de luto... até no Brasil pessoas choram, ascendem velas, dão depoimentos emocionados. Mas porque as lágrimas só caem quando morrem franceses, ingleses ou norte-americanos? Qual foi a condenação dos EUA pelo maior ataque terrorista do planeta: as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki que mataram mais de 150 mil civis inocentes? Qual a condenação aos EUA pelos crimes de guerra cometidos contra civis? Uma guerra de invasão norte-americana que em 10 anos matou mais de seis milhões de pessoas.

        
      Por que não é atentado à liberdade de imprensa quando o Estado norte-americano por meio de seu poderio militar assassina os jornalistas fotógrafos recém-contratados da Reuters Saeed Chmagh e Namir Noor-Edeen? Talvez por serem iraquianos, apesar de serem formalmente da Reuters.
    Por que as lágrimas não caem e não há revolta mundial contagiante quando os sádicos e psicopatas soldados e generais norte-americanos fuzilam crianças iraquianas e depois de se darem conta do que fizeram tiveram a coragem de não prestar socorro para elas no hospital da base militar, com maiores recursos, entregando-as a polícia local para que em seguida fosse levada a um precário hospital iraquiano.
       Os soldados norte-americanos ignorantes, torturadores (como vimos no estopim de Abu Ghraib) e sedentos por sangue, pedem como adolescentes petulantes permissão para atirar em um grupo de pessoas que estava reunido na rua, simplesmente. Abaixo vocês verão as imagens destes brutais assassinatos publicado pelo Wikileaks e escondido pela grande mídia. Esse vídeo foi vazado pelo ex-analista militar Bradley Manning de, na época, 23 anos. Resultado: Julian Assange, criador do Wikileaks está refugiado no Equador e Bradley Manning está preso e foi condenado a 35 anos de prisão. 
       Nos casos do Iraque em 2007 nem comoção pelo assassinato dos jornalistas, civis e crianças iraquianas, nem tampouco a liberdade de imprensa para mostrar para o mundo o terrorismo de estado estadunidense contra inocentes. Portanto: Je ne suis pas Charlie.
          









sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Vereadora do PC do B toma posse como presidenta da câmara em Ipixuna-PA.

     No dia 07 de Janeiro de 2014 a vereadora Maéllen Duarte toma posse como a primeira mulher presidenta do poder legislativo em Ipixuna do Pará no decorrer dos seus 23 anos de emancipação do município de São Domingos do Capim.
     Maéllen Duarte é educadora, reside no distrito de Canaã, na beira do Rio Capim, distando 100 km da sede do município, tem forte atuação junto às comunidades, principalmente nas áreas da educação, do esporte, da assistência social e no apoio a movimentos religiosos.
   O PC do B fez história mais uma vez em Ipixuna do Pará, pois em 2012 teve a camarada Rosilene Ribeiro como a primeira mulher a se eleger como vice-prefeita no município. Na ocasião deste mesmo ano o partido elegeu três vereadores: Marquinho, Maéllen Duarte e Claudenor Alves (Cacau), este o vereador mais votado entre os 11 eleitos.
  O fato de termos mulheres na condução dos principais poderes políticos do nosso município é importante para o povo, não apenas pelo símbolo, mas também e principalmente pelo fato de ser a concretização do empoderamento das mulheres. Empoderamento de mulheres que compõem o Partido Comunista do Brasil, que traz a compreensão da indissociabilidade entre a emancipação do povo do julgo da exploração e da emancipação da mulher da persistente opressão discursiva e prática da superioridade masculina, seja esta opressão duramente explícita ou "despretensiosamente" sutil. Empoderamento este que traz importantes resultados para a sociedade uma vez que são qualidades inerentes das mulheres: a organização e o cuidado.
   A posse da nova presidenta foi bastante prestigiada com a presença de autoridades do executivo; dirigentes religiosos, sindicais, de associações; professores e grande público. O evento contou com a destacada presença do presidente estadual do PC do B do Pará Jorge Panzera e do deputado estadual eleito em 2014 Lélio Costa.




Ver. Marquinho, Jorge Panzera, Ver. Maéllem, Dep. Lélio Costa, Ver. Cacau.
Ex-vereadora e Vice-prefeita Rosilene Ribeiro.

    

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

O povo do Maracaxí a um passo da conquista da terra!

    Depois fazer 72 postagens em 2012 e 54 em 2013, em 2014 até o momento tinha feito apenas uma publicação em janeiro. Muita coisa importante aconteceu, mas vou escrever em cinco textos (este sendo o quinto) o que vejo necessário destacar.
    Em Janeiro publiquei: A Luta Pela Terra no Maracaxí http://marquinhodeipixuna.blogspot.com.br/2014/01/a-luta-pela-terra-no-maracaxi.html. O povo desta área (em específico a alegada fazenda são Joaquim) luta pelo direito de viver e produzir naquele lugar desde aproximadamente o ano de 2000 quando em meados desta década este conflito foi parar nos tribunais.
    Em 2013 houve uma reintegração de posse, exceto de 11 famílias que haviam recebido uma documentação da Superintendência do Patrimônio da União. Como o processo de regularização de terras ribeirinhas ainda estava em curso,mais 40 famílias receberam esta documentação. Feito isto, entramos na justiça com uma petição apelando à vara agrária que desse às 40 famílias o mesmo direito das 11 em permanecer na área. alegamos ainda litigância de má fé dos requerentes, uma vez que descobrimos que os pontos geográficos da certidão do fazendeiro distam 20 km da área do Maracaxí a qual alega ser sua.
   No meio do ano de 2014 os trabalhadores foram chamados para audiência, onde novo advogado da FETAGRI (agora totalmente bem informado acerca do conflito) fez uma serena mas firme defesa dos trabalhadores.
   Pra nossa surpresa em setembro a reintegração de posse ao fazendeiro foi novamente determinada pela justiça. Dois dias antes de seu cumprimento corri para Belém juntamente com um companheiro da área para compreendermos esta repentina decisão e tentar revertê-la. Chegamos em Belém no início da madrugada. Estávamos tensos, porém de manhã tivemos a felicidade de ver publicada a decisão que suspendia a reintegração de posse e reconhecia a validade de todos os documentos de terras da SPU em favor dos trabalhadores rurais ribeirinhos. A decisão final depende agora do relatório decisivo do SIGEO (órgão técnico do tribunal) e bem como a manifestação da SPU no processo quando forem oficiados especificamente.  http://177.125.100.110/relatorios/relatorioDocumentoLibra?cddocumento=20140298875491&cdinstancia=1.
Em breve comemoraremos esta vitória do povo!


Barracão da associação.

Ao fundo uma bela roça de mandioca.

No final da reunião sempre tem um delicioso e farto almoço.




segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Comunista mulher presidenta do poder legislativo.

     Depois fazer 72 postagens em 2012 e 54 em 2013, em 2014 até o momento tinha feito apenas uma publicação em janeiro. Muita coisa importante aconteceu, mas vou escrever em cinco textos (este sendo o quarto) o que vejo necessário destacar.
     No dia 27 de Novembro de 2014, tivemos a felicidade de eleger para presidência da câmara de Ipixuna a vereadora comunista Maéllen Duarte. Depois de 23 anos do surgimento do nosso município, pela primeira vez foi eleita uma mulher para presidir o poder legislativo. Mas uma vez o PC do B faz história em Ipixuna, pois a atual vice-prefeita Rosilene Ribeiro do PC do B, também foi a primeira mulher eleita para este cargo em nosso município.
     Maéllem Duarte é educadora, reside no distrito do Canaã, na beira do Rio Capim, distando 100 km da sede do município, tem forte atuação junto às comunidades, principalmente, nas áreas da educação, do esporte, da assistência social e na colaboração com os movimentos religiosos.
     Nossa articulação foi muito bem ajustada. Tanto que não houve condições de ser lançada outra chapa concorrente, mesmo com a dedicação das forças do poder executivo. Portanto o quadro ficou da seguinte forma:
1. Maéllem PC do B- chapa única.
2. Cacau PC do B- chapa única.
3. Marquinho PC do B- chapa única.
4. Elói PROS- chapa única.
5. Rita PSDB - chapa única.
6. Railton PSDC- chapa única.
7. Janderson PT- chapa única.
8. Evando PRB- chapa única.
9. Stélio PR- chapa única.
10. Auta PT- abstenção.
11. Junior Biolab PPS- abstenção.

    Desde o final de 2013, nós do PC do B saímos do governo do Prefeito Salvador Chamom (PT) e nos declaramos oposição devido analisarmos que seu governo não condiz com uma postura de esquerda, a qual nos orienta, nem tampouco com uma postura progressista, o que seria o mínimo para permanecermos ao seu lado. Pelo contrário seu governo envereda pelo caminho da retirada de direitos dos trabalhadores, descaso com a educação, má gestão dos recursos públicos e falta de planejamento e de perspectiva de reversão desta crise instalada. 
    2015 será o ano da prestação de contas e da composição de uma frente de alternativa política fundamentada na construção coletiva, no planejamento de um futuro melhor e na restauração da auto estima do povo local, sobretudo com a marca da classe trabalhadora e daqueles que mais sofrem com as crises e com a falta de oportunidades. Assim poderemos ter a certeza de que a política do personalismo e do poder financeiro não é uma fatalidade, mas um obstáculo a ser superado. Nada nos resta além da luta revolucionária. Não a revolução de explosão dos esquerdistas, mas sim a revolução da implosão, do novo socialismo. 
Vereadora Maéllem Duarte

Veradores Railton (na esquerda) e Janderson (na direita)
Camarada Neinho, Vereadores: Cacau, Maélen, Marquinho, e Camarada Adeilson




Mais uma vez o desafio da eleição

     Depois fazer 72 postagens em 2012 e 54 em 2013, em 2014 até o momento tinha feito apenas uma publicação em janeiro. Muita coisa importante aconteceu, mas vou escrever em cinco textos (este sendo o terceiro) o que vejo necessário destacar.
     Em 2014 encarei mais uma vez o desafio de ser candidato a deputado estadual. Mais uma vez nós do PC do B optamos pela tática da chapa própria para garantirmos o nosso retorno a Assembleia Legislativa. Apesar das dificuldades das limitações materiais, a direção local decidiu lançarmos a candidatura novamente, uma vez que em 2010 eu tinha sido o quinto mais votado do partido.
      Não me elegi, mas combatemos um bom combate e meus quase três mil votos conquistados do povo pela nossa militância ajudou a compormos a votação necessária para atingir o coeficiente eleitoral que possibilitou a eleição do grande camarada Lélio Costa, que além de ter ajudado o povo ribeirinho de nosso município na regularização de terras quando Superintendente do Patrimônio da União, não tardou em vir a Ipixuna agradecer a nossa colaboração com a chapa, bem como vir reafirmar os compromissos de seu mandato com o município e com a região.
      Viva o partido comunista, viva a luta do povo!














     
      

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

O desafio do mestrado

    Depois fazer 72 postagens em 2012 e 54 em 2013, em 2014 até o momento tinha feito apenas uma publicação em janeiro. Muita coisa importante aconteceu, mas vou escrever em cinco textos (este sendo o segundo) o que vejo necessário destacar.
    No final de 2011 resolvi encarar o edital para o mestrado em sociologia da universidade Federal do Pará. Depois de quatro etapas: projeto de pesquisa, prova escrita, entrevista e prova de língua estrangeira (francês), fui selecionado.
   Comecei a fazer as disciplinas em 2012... Ano de eleição. Imagine só: Eu, mestrando, presidente de partido, candidato a vereador e pai de família. Nessa brincadeira quase perco o mestrado e a eleição. Mas Deus me abençoou que tanto me elegi, estou conduzindo o partido, o mandato e a família, como felizmente concluí o meu mestrado em Junho de 2014.
   Tive a felicidade de ser orientado por uma excelente e compreensiva professora... Maria José Aquino Teisserenc e a importante ajuda do professor Pierre Teisserenc (que foi orientando de Pierre Bourdieu).
    O tema da minha dissertação foi a respeito do deslocamento compulsório das famílias ribeirinhas do rio capim em função da mineração do caulim.
     Fui muito seguro tranquilo para a defesa. Acompanharam-me minha mãe e minha tia. Fiquei muito feliz.
Professora Maria José e Pierre Teisserenc nas extremidades.

RESUMO

     O desenvolvimento é palavra de ordem, é ideologia e a prática das sociedades modernas. É o modelo para a elevação moral, política, econômica e social para qualquer nação: este é o conteúdo do discurso do desenvolvimento independente da forma e do tempo em que se apresenta.
     A Amazônia provou e prova deste sabor. O desenvolvimento chega para ficar, e ficar até quando é conveniente aos indivíduos e grupos que o personifica. As empresas erguem seus aparatos e estruturas que simbolizam e realizam uma força inevitável.
     A dissertação aqui apresentada aponta uma consequência deste dito desenvolvimento: O deslocamento compulsório. Portanto procura-se no trabalho desvelar, conhecer e compreender este processo dando nome a estes lugares da Amazônia que aparecem nas literaturas, na grande maioria das publicações, de forma genérica e superficial, bem como dando nomes e vozes à estas pessoas que sofrem dentro deste processo. Desvelar, conhecer e compreender quais são estes sofrimentos, de que forma reagem, qual a sua compreensão, quais suas estratégias, como são e como se dão as formas de enfrentamento.
     Discute-se aqui a gênese do desenvolvimento, a penetração do capital na Amazônia, sua estabilização, a concepção governamental de desenvolvimento, os “determinismos” em busca da vocação econômica, o “geografismo”, o “dualismo”, os grandes projetos. Tudo isto como forma de contextualização e de investigação que nos faz perceber a continuidade e o agravamento da lógica e da concretude da pura e simples exploração para exportação em detrimento das comunidades locais.

Palavras-chave: Amazônia. Desenvolvimento. Deslocamento Compulsório. Comunidades.