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domingo, 24 de setembro de 2017

10 Anos da Escola Irmã Agnes Vincquier


    A minha mãe, Professora Zilda Carmo de Almeida, foi convidada pela Escola Irmã Agnes Vincquier para fazer uma roda de conversa com estudantes e funcionários com o objetivo de falar das suas memórias e experiências de convívio com a querida Irmã Agnes: Missionária Belga do Imaculado Coração de Maria, que veio a nossa comunidade como um presente Deus para juntos vivermos felizes na comunhunhão cristã.
   Junto com ela conviveram conosco também a Irmã Cris (que retornou a Bélgica em 2012) e a Irmã Malati (atualmente em missão no Rio de Janeiro). 
    Teremos a alegria de recebermos mais uma vez a visita da Irmã Malati em nossa comunidade do dia 3 ao dia 06 de outubro deste ano. Em outras publicações falarei mais da experiência de nossa convivência, bem como postarei registros dos momentos de sua visita.
     Trago também a vocês uma entrevista que a Irmã Malati concedeu ao blog Pessoas Comuns que Fazem a Diferença, escrito por Gustavo Simões. Vomos conhecer um pouco de nossa estimada Irmã Malati.



Onde e quando a senhora nasceu?

Nasci numa cidade chamada Trichirappalli, no estado de Tamil Nadu, na Índia, no dia 7 de Janeiro de 1949.


- Como foi a sua infância?

Graças a Deus, Ele  escolheu para mim os pais católicos que moravam numa área católica, numa paróquia dos jesuítas. Na área aonde nasci e cresci estávamos cercados por famílias católicas e havia missa diária e oração da noite na capela.

Meu pai trabalhava como contabilista no departamento ferroviário do Governo e gostava de ler a Bíblia. Lia todos os dias em voz alta um capítulo da Bíblia e a minha mãe ficou em casa para nos cuidar. Nós éramos ao todo 10 filhos.

Eu nasci como o 5º membro da família e a primeira filha da família. Depois dos 4 filhos, a minha mãe queria ter uma filha e disse que rezou muito para nascer uma filha. O meu nascimento foi um grande alegria para os meus pais e meus 4 irmãos. Me deram o nome Malathi poque eu nasci  na parte da tarde quando estavam ascendendo a lamparina do óleo. Malathi na minha língua quer dizer o fogo da tarde.

Os meus avós maternos moravam na casa vizinha. Eles tinham 14 filhos. A minha mãe era a filha mais velha e nós tivemos muita interação com os tios, as tias e os primos e primas. Criamos um laço forte que dura até hoje.

Quando tinha 2 anos de idade,  ao longo de 8 meses os meus dois irmãos mais velhos faleceram, um de febre tifoide com pneumonia ( naquele tempo não havia remédio para esta febre) e outro morreu de catapora que não apareceu por fora mas o envenenou por dentro. Estas duas perdas marcaram muito a minha família. Minha mãe fala que a falta dos meus dois irmãos que brincavam comigo me fez ficar quieta. Sei que  até hoje a tristeza da perda me faz ficar em silêncio.

Com esta tristeza a minha mãe perdeu um filho, ela estava grávida. Ainda bem que Deus salvou  a vida da minha mãe que também estava em perigo por causa da hemorragia.

Depois nasceu um irmão que está bem. Hoje está no país chamado Kuwait. Assim voltou a alegria da família.

Quando tinha 4 anos outro irmão meu nasceu, com um problema de coração ( falavam dele como a “criança azul”). Ele viveu somente quatro meses e depois faleceu. Mais uma vez a minha família sofreu uma perda.

Depois nasceu a minha irmã. Ela está bem casada com 5 filhos e mora a cidade de Bangalore. O nascimento dela trouxe  muita alegria.

Quando tinha 6 anos mais um irmão faleceu, um dia depois do parto. Pois a anestesia da cirurgia afetou a criança. Isso foi um grande sofrimento para os meus pais.

Assim desde a infância Deus me fez experimentar de uma maneira forte o mistério Pascal de vida e morte.

Comecei ir a escola desde os 4 anos de idade. Foram anos de aprendizagem, brincadeira de criar amizades que duram até hoje.


- Quando e porque decidiu ser uma religiosa?

Minha avó materna não gostava muito das freiras. Ela não queira que as filhas se tornassem freiras. Então desde a infância pensei que aquelas que não podem se casar se tornavam as freiras.

Mas quando tinha 13 anos , tive uma professora bonita e boa que entrou no convento Carmelo contemplativo. Fomos convidadas para o dia dela receber o Hábito. Ela parecia mais bonita e mais feliz. Então o conceito errado da minha infância estava mudando.

Também neste ano na escola católica aonde eu estudava, na catequese, estudávamos o evangelho de São João. Pela primeiro vez li a seguinte frase : “Deus amou o mundo tal maneira que Ele deu seu único filho para salvar o mundo” (João 3,16). Esta frase fez algo dentro de mim  que pela primeira vez entendi que o nosso Deus é um Deus que nos salva. Naquele tempo  a igreja chamava de pagão as pessoas que pertenciam a outra religião. Então tinha medo de perder as minhas amigas Hindus que não foram batizadas.

Então queria também doar a minha vida  para Deus, como Jesus, para salvar o mundo. Então quando tinha 16 anos queria entrar no Convento de Carmelo contemplativo. Graças a Deus  o meu diretor espiritual, conhecendo a minha natureza social, me encaminhou para a congregação das Irmãs Missionarias do Imaculado Coração de Maria aonde eu pertenço até hoje.


- Sua família apoiou sua decisão de ser uma irmã?

No início o meu pai teve muita dificuldade em aceitar. Também tinha somente 16 anos. Ele pensava que eu não tinha a maturidade necessária para fazer uma decisão para toda uma vida. O meu tio pensou que talvez eu não fosse permanecer por mais de duas semanas porque era muito apegada à minha família.

Mas minha mãe acreditava na minha escolha e na minha busca. Quando o meu pai veio me visitar depois de um mês da minha entrada no convento ele acreditou em mim porque me viu bem feliz..


- Nesse contexto como foi sua vinda para o Brasil?

Quando entrei no convento  a nossa congregação não tinha ideia de mandar as irmãs indianas para missão fora da Índia. Como congregação na Índia nós temos muitas instituições com escolas, hospitais, ambulatórios, escolas técnicas, escolas para surdos e cegos etc. Então, eu me formei como uma professora de crianças surdas e trabalhei como diretora da escola dos surdos na cidade de Mumbai por quatro anos.

Mas o governo Indiano fechou os vistos para as irmãs estrangeiras que iriam entrar. Então a congregação apelou para nós, as irmãs jovens, para optar pela missão fora do país.

Eu já estava bem entrosada no meu trabalho e estava feliz. Mas este chamado me incomodava. Tocou  o meu apego pelo meu trabalho. Então fiz um discernimento sério e entendi o chamado de Deus para desapegar de novo e colocar na disposição de Deus e da congregação.

 Assim cheguei no Brasil no ano 1978. O meu irmão, que é  Padre jesuita, não concordava com a minha decisão. Mas Deus se manifestou como Deus, mostrando que nada é impossível.


- A senhora faz parte de um grupo religioso? Qual o trabalho desse grupo e onde se localiza no Rio de Janeiro?

Eu faço parte da congregação das Irmãs Missionarias do Imaculado coração de Maria. A sede se localiza na rua vereadora Russani Elias José, 101, Nova Iguaçu, RJ. Para nós Irmãs Missionarias do Imaculado coração de Maria  (ICM) a missão é o foco. Somos convidadas para nos dedicar às pessoas que estão na situação de fronteira, aonde a vida é ameaçada. Hoje no brasil nós irmãs estamos trabalhando com os drogados, prisioneiros, com empregadas domesticas, com migrantes, com educadores,, com crianças, mães e  jovens no nível de acompanhamento espiritual, jurídico, formação integral através de pastorais específicas, espiritualidade integradora e ajuda jurídica.


- Em quais atividades ligadas à vida como religiosa a senhora participa?

Por enquanto ( até Junho 2017) estou a serviço da nossa província do Brasil como Provincial. Este serviço consiste em animar, acompanhar  e coordenar as atividades  das irmãs para que  possamos ser fiel na missão que Deus nos confiou.

Uma vez por semana ( nas 4as feiras de 9-16h)  trabalho no Hospital São Francisco, Tijuca, na ala do Pai pela recuperação dos doentes especialmente os dependentes químicos na área da espiritualidade para resgatar sua autoestima e cura interior, através da yoga e da meditação.

Uma vez por semana participo no grupo de meditação cristã que funciona todas as 4as feiras de 18 às 19h  no salão São Francisco da Igreja dos Capuchinos.

Nas 5as feiras participo no grupo de Lectio divina  na Catedral santo Antônio  em Nova Iguaçu.

Nas 6as feiras dou uma hora de espiritualidade para a população da rua, na casa de olidariedade da diocese de Nova Iguaçu

Tenho outros compromissos de estudo ou retiro ou acompanhamento das pessoas ou visitas nas casas  que faço segundo o pedido pessoal e grupal.

- O que gosta de fazer nas horas vagas?

Faço um aprofundamento dos assuntos que vou tratando nos encontros que tenho assumido.

Gosto de rezar sozinha ou com as pessoas

Faço um trabalho pessoal comigo mesma para me entender melhor.

Visitar as famílias ou as pessoas para partilhar as suas experiências.

Ler os livros  que ajudam na pro ação.

Gosto  de cozinhar algo que é gostoso e poder oferecer para as pessoas que nos visitam.

Escrever ou responder os e mails.

 
- Nos conte um pouco das suas experiências internacionais.

As viagens que eu fiz até agora são pela necessidade da congregação seja para uma reunião, assembleia, um encontro ou um capítulo.

Assim visitei: Jamaica, St. Croix nas ilhas de Caribe, Guatemala,  Texas e Nova Iorque, Bélgica e Roma, e recentemente estive no Congo.

Quando vamos para outro país  conhecemos também o povo com quem as nossas irmãs trabalham e o tipo de trabalho que as nossas irmãs desenvolvem. Assim para mim isso abre a minha mente e o meu coração para abraçar outro povo , a sua luta e também para aprender algo  que ajuda na superação das dificuldades. A gente também começa a apreciar a cultura , a religiosidade e a fé do outro povo. Sinto que somos um povo, uma humanidade no jeito de nossa busca, nosso sofrer e nosso querer.


- Como e quando conheceu a Meditação Cristã? Porque começou a praticar?

Olha você nem pode imaginar. No ano 1998, fui visitar no Hotel Copacabana, alguns indianos que trouxeram alguma coisa de Índia. No elevador encontrei com D. Laurence Freeman , o líder mundial de Meditação Cristã, com o Sr. Sérgio de Morais que era o coordenador de Meditação Cristã do Rio de Janeiro. Então quando Dom Laurence Freeman soube que sou da Índia, ele falou para Sr. Sergio: “- Esta irmã pode ajudar na meditação Cristã”. Assim Sr. Sérgio me procurou. Depois conheci o grupo de Tijuca porque a D. Susana Calache que participou num dos meus encontro pediu a Ir. Fernanda para me procurar.


- O que a Meditação Cristã traz para a sua vida?

Quando conheci a meditação cristã já tinha praticado no passado  meditação. Mas a meditação cristã me deu uma disciplina de sentar 30 minutos de manhã e 30 minutos à noite. Me faz tocar o silêncio interior aonde habita  o sopro de Deus . Me dá o sentimento de gratidão diante de nosso Deus que se faz presente. Esta certeza me faz confiante diante das pessoas e situações, especialmente nos momentos desafiantes.

Sinto que a minha saúde física, emocional e espiritual estão melhorando a cada dia. A minha energia se torna positiva com as pessoas necessitadas. A minha esperança é mais forte do que o meu medo.


- O que a senhora diria para quem está começando a prática da Meditação?

Vale a pena praticar a meditação. Para ficar em silêncio não é fácil, mas a experiência de tocar o silêncio interior nos cura de todas as males e nos traz a intimidade com Deus, conosco mesmo e com outros. Cria um laço eterno com as pessoas  com quem meditamos.


- Como a senhora enfrenta as dificuldades da vida?

Diante das dificuldades, respiro profundo e invoco a mantra Maranata. Sinto que Deus vai diante de mim para abrir o caminho de paz e entendimento. Acredito que a boa noticia de Deus é maior que o meu medo. Na realidade sinto uma força interior para enfrentar as dificuldades e experimento a paz nas interações.


- Que mensagem deixaria para as pessoas?

Vale a pena praticar  a meditação, apesar da luta para entrar no silêncio. Uma vez que se entra nesta disciplina, a pessoa vai sentir o beneficio de meditação em todas as áreas da sua vida. Boa sorte para vocês.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Publicação de artigo em revista com recomendação da CAPES



   Compartilho com vocês a publicação de um artigo meu na revista Contribuiciones a las Ciencias Sociales ISSN 1988 - 7873 (Área de concentração: Sociologia), edição de Setembro de 2017, de Qualis B4. Esta última referência é uma classificação de qualidade feita pela CAPES (coordenação de aperfeiçoamento de pessoal de nível superior).
      É um artigo especial para mim, pois brota da pesquisa de campo que fiz para minha dissertação de mestrado (UFPA 2014), tratando da região do Rio Capim da qual tenho origem.
   O título do artigo é Mineração e deslocamento na Amazônia: resignação e resistência ribeirinha e seus repertórios de luta e pode ser encontrado nos links abaixo:



Espero que leiam e que gostem. Grande abraço.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Os desafios da democracia no Brasil

       A Profª Zaíra, de história, pediu que eu fizesse um texto falando sobre a democracia no Brasil e direitos políticos. Em seguida ela pedirá aos seus aluno para que leiam e comentem.
       Sempre tive vontade de escrever sobre este tema. Espero que gostem. Abraço!

       Clique no link abaixo e leia em PDF